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Thursday, January 12, 2012

Simplificação da linguagem

Sandra Fisher Martins faz uma campanha fabulosa pela simplificação da linguagem. 
Todos nós já nos deparamos no dia a dia com textos imperceptíveis, na maior parte das vezes porque não somos burros, mas porque simplesmente esses documentos foram feitos para não os percebermos. Quais as razões que levam os seus autores a escreve-los dessa forma:

  • Segundo a teoria de Einstein, não a da relatividade mas outra menos afamada, é que quem não consegue escrever sobre um assunto de forma simples é porque não o percebe, portanto os senhores e senhoras que escrevem estes textos cheios de palavras caras não pescam patavina do assunto;
  • A nossa teoria é que estes documentos são escritos para não os percebermos e consequentemente não termos ideia nenhuma dos nossos direitos e deveres. Mais tarde podem processar-nos, culpar-nos e acusar-nos sem termos qualquer forma de defesa, assinamos, portanto acordamos com o que estava escrito sem sequer termos percebido 10% do seu conteúdo.

Qualquer que seja a razão é altura de dizer basta, basta de incompreensão documental. É necessário nova legislação para acabar com esta fraude, precisamos de documentos legíveis e perceptíveis, claros e concisos. A lei deve obrigar e deve permitir a anulação de qualquer contrato que não cumpra estas regras. Lutamos por uma simplificação da linguagem escrita.

Saturday, October 22, 2011

O sempre imortal Eça de Queirós


Queirós, não confundir com o treinador de futebol, este Eça foi um dos maiores escritores Portugueses e pelos vistos um visionário, a sua escrita é imortal.


Eça de Queirós escreveu em 1872 na publicação mensal "As Farpas":
"Nós estamos num estado comparável apenas à Grécia: a mesma pobreza, a mesma indignidade política, a mesma trapalhada económica, a mesmo baixeza de carácter, a mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se em paralelo, a Grécia e Portugal."

Em 1867 no Jornal "Distrito de Évora":
"Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição. Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações. A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse. A política é uma arma, em todos os pontos revolta pelas vontades contraditórias; ali dominam as más paixões; ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali há a postergação dos princípios e o desprezo dos sentimentos; ali há a abdicação de tudo o que o homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo; em volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes vaidosos, os especuladores ásperos; há a tristeza e a miséria; dentro há a corrupção, o patrono, o privilégio. A refrega é dura; combate-se, atraiçoa-se, brada-se, foge-se, destrói-se, corrompe-se. Todos os desperdícios, todas as violências, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva. À escalada sobem todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos (...) todos querem penetrar na arena, ambiciosos dos espectáculos cortesãos, ávidos de consideração e de dinheiro, insaciáveis dos gozos da vaidade."

Em 1891 na "Correspondência":
"Que fazer? Que esperar? Portugal tem atravessado crises igualmente más: - mas nelas nunca nos faltaram nem homens de valor e carácter, nem dinheiro ou crédito. Hoje crédito não temos, dinheiro também não - pelo menos o Estado não tem: - e homens não os há, ou os raros que há são postos na sombra pela política. De sorte que esta crise me parece a pior - e sem cura."

Sempre imortal, o passado repete-se no presente como se não houvesse memória e inteligência, Eça de Queirós deixou-nos o aviso.